Há mais de dois anos.
Sentirei saudades deste meu moleskine virtual.
(...)
Na última quarta-feira, todo um vilarejo da Capadoccia veio me cumprimentar: Spain!
E até eu ria de meus gritos eufóricos em castellano.
Nem sei quando começou ou como.
Hoje é inevitável. Fico feliz pelo sorriso de meus amigos.
Torço pela festa na Plaza de Espanya.
Em català, euskera, gallego.
Torço pela festa que une, pelo sorriso que liberta de traumas históricos, pelos abraços.
Minha forma de contribuir.
Povo que tanto me ensina.
(...)
Amo girassóis.
Pra mim, gente é algo muito interessante.
Viajar é a melhor forma de se conhecer, conhecer teus amigos, conhecer outras pessoas, conhecer o mundo. Entender teu tamanho - irrisório - nele.
Incentivo o amor.
Balão na Capadoccia era um sonho.
Mestrado, também.
Morar em Barcelona.
Com licença, gargalho.
Incentivo sonhos.
Cheguei hoje da Turquia.
Ela é linda.
20 e poucos anos, turca.
Nem lenço, nem maquiagem.
Joelhos escondidos, em bermudas jeans.
É tradutora profissional em um vilarejo de nome árabe, quer conhecer a América e respondeu: você está louco?
Quando o brasileiro se aproximou, conversou, e confessou sua vontade de beijo desde o primeiro olhar.
Eu sei.
Mas esse brasileiro é um europeu para temas de amor.
E essa turca tem a beleza sincera e o sorriso maduro que me faz admirar uma mulher.
Existirá beijo em todas as culturas?
Pergunta a amiga, mestre em antropologia da performance, enquanto tomávamos um chá no bar da caverna.
O amigo foi despedir da turca.
Eu sei que você queria o beijo.
Mas depois de horas de conversas com os nativos, eu queria que homem amasse com o olhar.
E ele só queria que ela soubesse que foi memorável.
Nenhuma floricultura em toda a Capadoccia.
Achamos tudo que foi preciso na estrada, no caminho.
E, na Turquia, quando você quer que alguém volte, é só jogar um pouco de água em seu carro.
(...)
Este espaço começou como exercício obrigatório para uma disciplina de mestrado. Ganhou relevância, porque deixe-me expressar. Permaneceu, porque vocês alimentaram-no.
Facebook, Flickr, Twitter, Skype.
E analógica: horas por telefone, postais antigos, jantares, bares, velas, vinis.
Prometo manter meu olhar de criança, fotografando.
E meus devaneios sem vírgulas, :), em conversas e e-mails.
E recomendo viagens comigo.
"Una tesis o una tesina no se acaban: se abandonan".
Em e-mail do professor que explica aos alunos como ser imperfeito.
Como tantas outras coisas relevantes.
Deixo meus menus com a mesma lágrima emocionada que persiste em meu rosto a cada vez que vejo meu norte se afastando de mim, pelas janelas de vidro das estradas de meu Brasil.
Obrigada.
(Teşekkürler, Burcur.)



