sábado, 10 de julio de 2010

Último


Há mais de dois anos.
Sentirei saudades deste meu moleskine virtual.
(...)
Na última quarta-feira, todo um vilarejo da Capadoccia veio me cumprimentar: Spain!
E até eu ria de meus gritos eufóricos em castellano.
Nem sei quando começou ou como.
Hoje é inevitável. Fico feliz pelo sorriso de meus amigos.
Torço pela festa na Plaza de Espanya.
Em català, euskera, gallego.
Torço pela festa que une, pelo sorriso que liberta de traumas históricos, pelos abraços.
Minha forma de contribuir.
Povo que tanto me ensina.
(...)
Amo girassóis.
Pra mim, gente é algo muito interessante.
Viajar é a melhor forma de se conhecer, conhecer teus amigos, conhecer outras pessoas, conhecer o mundo. Entender teu tamanho - irrisório - nele.
Incentivo o amor.
Balão na Capadoccia era um sonho.
Mestrado, também.
Morar em Barcelona.
Com licença, gargalho.
Incentivo sonhos.
Cheguei hoje da Turquia.
Ela é linda.
20 e poucos anos, turca.
Nem lenço, nem maquiagem.
Joelhos escondidos, em bermudas jeans.
É tradutora profissional em um vilarejo de nome árabe, quer conhecer a América e respondeu: você está louco?
Quando o brasileiro se aproximou, conversou, e confessou sua vontade de beijo desde o primeiro olhar.
Eu sei.
Mas esse brasileiro é um europeu para temas de amor.
E essa turca tem a beleza sincera e o sorriso maduro que me faz admirar uma mulher.
Existirá beijo em todas as culturas?
Pergunta a amiga, mestre em antropologia da performance, enquanto tomávamos um chá no bar da caverna.
O amigo foi despedir da turca.
Eu sei que você queria o beijo.
Mas depois de horas de conversas com os nativos, eu queria que homem amasse com o olhar.
E ele só queria que ela soubesse que foi memorável.
Nenhuma floricultura em toda a Capadoccia.
Achamos tudo que foi preciso na estrada, no caminho.
E, na Turquia, quando você quer que alguém volte, é só jogar um pouco de água em seu carro.
(...)
Este espaço começou como exercício obrigatório para uma disciplina de mestrado. Ganhou relevância, porque deixe-me expressar. Permaneceu, porque vocês alimentaram-no.
Facebook, Flickr, Twitter, Skype.
E analógica: horas por telefone, postais antigos, jantares, bares, velas, vinis.
Prometo manter meu olhar de criança, fotografando.
E meus devaneios sem vírgulas, :), em conversas e e-mails.
E recomendo viagens comigo.
"Una tesis o una tesina no se acaban: se abandonan".
Em e-mail do professor que explica aos alunos como ser imperfeito.
Como tantas outras coisas relevantes.
Deixo meus menus com a mesma lágrima emocionada que persiste em meu rosto a cada vez que vejo meu norte se afastando de mim, pelas janelas de vidro das estradas de meu Brasil.

Obrigada.
(Teşekkürler, Burcur.)

lunes, 14 de junio de 2010

Brasil

Meu chefe temporário é argentino.

Meu roomie é espanhol.
Já jogou em times desconhecidos de Astúrias.
E é o artilheiro da pelada dos domingos.

No melhor lugar da cidade
(onde brincamos de desvendar o futuro com as cinzas dos cigarros que não fumamos),
somos verde-amarelo-azul-branco-vermelho
¡La Roja!
... e as cores dos que fumam ao nosso redor.

Minhas amigas catalãs não têm time.
Messi Futebol Clube.

Um amigo admirável – e muito diferente de nós - na Copa.
A aquisição mais popular de 2010, na Copa.
O babá do Dunga... na Copa.

Saudades. Galvão.
Os jogos irrelevantes são transmitidos nas emissoras que pagamos todo mês.

México e África do Sul.
Esse povo alegre, apimentado, acolhedor, descomplicado.
Esse povo alegre, doce, acolhedor, lutador.
Os amigos ao som de mariachi.
Todos os que não conseguiram comprar ingressos na sua casa.
E os marroquinos explicando para o colombiano que it’s time for Africa.

Intervalo.
Penso no sorriso de meus dias.
Chego:
“Bom dia, minha menina”.
Daí ela conta o menu, escolhe o prato, traz, me canta a conta.
Alimento-me de seu sorriso e ela sabe.
#paraguai

A coreografia.
Do torcedor do Inter; Champions.
Molt malament.
Aprendi a dançar, deixei o amigo celebrar.
E agradeci ao Deus de meu céu cruzeirense:
Santiago cuidou da paz no Bernabeu.
#italia

Fui ver o gol.
No melhor lugar da cidade.

Bandeira pendurada pra receber as nações visitantes.
Os equatorianos exigem pão-de-queijo.
Adesivos de coração chegaram de bicicleta, um cafuné de quem quer me ver feliz.
(Sim, aventura irreversível. Bom caminho, sou teu porto seguro, meu amigo).

Vou guardar objetos cortantes.
Ainda que meu pai diga que a Espanha precisa de alegria.
Nas próximas semanas, no melhor lugar da cidade.
Vai acabar a trégua.
#Brasil

(Foto: Brasil 2 x 1 Espanha, Copa de 1962. Achei aqui)

miércoles, 2 de junio de 2010

28

Experimentar.
Observar.
Viajar.
Comer.
Provar.
Poesia.
Todo dia, todo dia.
(Feliz aniversário em Neuchatel, Suíça).

lunes, 17 de mayo de 2010

Marrakech

Quando voltei à Andalucía, entendi que era hora de cruzar Gibraltar.
A cor era a mesma.
A mesma pobreza.
A mesma luta pelo olhar do turista.
A terra ocre, vermelha.
Mercados caóticos, lata d'água na cabeça.
Menino no colo e 4 na vespa velha.
E a comida cheirosa.
A mesa impecável.
A hospitalidade religiosa.
Achei que seria rapadura.
Quando veio o chá.
Assim, sem mais, esse pedaço de África branca.
Parece minha casa, meu povo.
(Pertenço ao caos, vai saber).
É verdade que a Medina tremia ao meu redor.
Às 05:30, fé.
Lembrei-me das novenas nas roças de minha infância.
E de cada sorriso aberto, cada vontade de explicar tudo.
Virou em mim carinho por esse povo.
Olhar é um pouco igual.
Gente curiosa, ser humano.
Biológico, tudo bem, cultural.
Rassam poderia ser Jaozim.
Zé. Mohamed.

Você está certo

Andei viajando. Lugares próximos, barreiras imensas.
Voltei sem fôlego. Inspirada.
E um pouco tímida.

Acho mesmo que qualquer coisa que escreva é pouco para explicar.
Ou tentar traduzir o que andei sentindo.

Ando trabalhando muito.
Aprendendo muito.
Estudando menos. Do que minha alma exigente diz que é o mínimo.

Um desabafo meio pra mim.
Um abraço forte neste meu pedaço virtual de papel em branco.
(Uma vontade de escrever com minha fonte, meu tipo. Também aqui).

Você está certo, meu amigo.
Preciso voltar mais aqui.

martes, 4 de mayo de 2010

MIT Convergence Culture Consortium

Lendo o novo post do @chmkt, fui parar no blog C3.
Adorei as temáticas.
Sem mais, indico.

lunes, 26 de abril de 2010

Ethnographic Hits

Alguns cases clássicos de uso de etnografia para compreender comportamento e necessidades de consumo em matéria da BusinessWeek.